quarta-feira, 5 de abril de 2017

Quando...



"Quando começar a gatinhar."
"Quando começar a andar."
"Quando for para a escola."
"Quando começar a ter interesse por rapazes."
"Quando..."
"Quando..."
"Quando..."

Eram estes os tempos em forma de teorias que a minha pediatra foi dando à minha mãe, que se mostrava preocupada com o meu excesso de peso apesar de, desde sempre, eu ter sido uma criança mexida. Afinal, sempre passei mais tempo na rua do que em casa, e sempre me dei melhor com os rapazes, logo, sempre quis ser melhor que eles. Era o estímulo certo para me superar. Mas o excesso de peso sempre lá esteve.

Aos 13 anos, depois de muita insistência da minha mãe, chegou o diagnóstico: hipotireoidismo. Do diagnóstico ao perceber porque é que o peso não desaparecia foi um pulo. E, desde então, vivi com esse fantasma da "dificuldade extra em perder peso".

Têm-me perguntado muitas vezes qual o segredo por trás destes 26 quilos perdidos. Honestamente, só me vem uma palavra à cabeça: trabalho. O segredo é que dá mesmo muito trabalho perder peso, principalmente para quem, como eu, tem a genética contra.

Mas acho que o que diferencia esta dieta de outras que tentei antes, e que foram muitas, acreditem!, foi mesmo o ter chegado aos 30 anos. 

Sempre ouvi a minha mãe a contar a história do "Quando" da minha pediatra, e também eu me fui deixando encostar à sombra da bananeira à espera do "Quando" certo.

"Quando entrar para a faculdade perco peso."
"Quando sair da faculdade perco peso."
"Quando encontrar o homem dos meus sonhos perco peso."
"Quando começar a trabalhar perco peso."

Havia sempre algo à minha espera, pensava eu, para perder peso. E esse "quando", essa razão de força maior, nunca foi suficiente. Pelo contrário, o peso foi aumentando e a vontade de o perder diminuindo. 
Ouvi durante mais de três anos o meu endocrinologista dizer que era uma candidata perfeita para pôr uma banda gástrica, mas eu sabia que tinha um "quando" à minha espera... E esse "quando" chegou precisamente "quando" era suposto. "Quando" tive a vontade de pegar no saco de ginásio e mudar a mil por cento os meus hábitos alimentares. Tinha de partir de mim, tinha de ser eu a querer. A única coisa que nos impede de fazer o que quer que seja é a nossa vontade, e foi depois dos 30 que, ao perceber que o "quando" não estava a chegar sozinho, eu tive que o ir procurar. 

Hoje, o peso está a sair a custo, a muito custo!, e uma coisa é certa: é a levantar a bunda todos os dias e a pensar no que ainda falta perder que me motivo a fazer mais. Os 26 quilos já lá vão. Que venham os 27... os 28... os 29... É esse o meu foco. E, sim, sei que ainda tenho muito trabalho pela frente. Mas também sei que não estou sozinha.

Estão comigo?

Catarina


7 comentários:

N. disse...

Estamos contigo! :)

Sofia disse...

A levantar a maozinha e a dizer "estou contigo Catarina!" :D

As Coisas Dela disse...

Eu estou contigo e vou acompanhar-te sempre nesta caminhada :) Beijinhos*

Nani Fonseca disse...

Realmente é preciso se dedicar, emagrecer não é nada natural ou espontâneo.

Batiz-Artesanato disse...

Estou contigo miúda linda. 🌷🌹🌻🌼🌺🌸

Ana Sofia disse...

Claro que estamos contigo, sempre!
Beijinhos,
An Aesthetic Alien | Instagram | Facebook
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Portuguesinha disse...

Não estou contigo.
Não faço esse tipo de exercício.
Também tenho essa condição. Mas nunca fui acompanhada por um endocrinologista. O meu médico de família nunca achou necessário e foi ele que me disse que ter peso a mais nada tem a ver com a tiroide. Sempre me disse que uma boa dieta e exercício é o que basta.

Se calhar para o PERDER é que é difícil!! Pois eu também nunca fui parada nem preguiçosa. Só perdi peso em dois tipos de ocasiões: após uns dias doentes na cama (desaconselho) e quando trabalhei 12 horas por dia, 7 dias por semana, em trabalho fisicamente exigente. Tanto que mais parecia exercício de ginásio: step, levantamento de pesos, etc, etc Kkkkk

Mas para isso acontecer olha só quantas HORAS e esforço são precisos. Decerto que ja´percebeste a matemática e admiro o que fazes. Porque eu não seria capa de o fazer. Por uma razão muito simples. É o tipo de coisa que eu sou capaz de me dedicar mas para isso preciso de ter o espírito feliz. Não preciso de ter tudo o que quero, casa, família etc. Não é esse tipo de realização pessoal. É a felicidade simples, que provém de ti mesma. Essa eu tenho mas também não há santo dia em que alguém não tente ma roubar. Ou seja: preciso da ausência de uma certa tristeza para me dedicar a coisas assim. Caso contrário eu, que nem sou muito de ser gulosa, acabo sempre por buscar algum consolo num pedaço de chocolate. Ou seja: a dieta vai para o espaço. Nunca comi lá muito bem - embora não no sentido de só comer comida de plástico. Apenas fico muitas horas sem comer, depois como tudo de uma vez, não tomo pequeno almoço, etc, etc. Tudo maus hábitos.

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