Sou filha única. Durante 19 anos fui neta única. E durante 13 bisneta única.
Sim, fui muito mimada e confesso que sempre gostei de ter esses mimos só para mim. Mas também sempre senti falta de ter uma irmã ou um irmão (quanto mais não fosse para o futuro dos genes dos meus pais não recair todo em mim! Muita pressão nesse campo...)
Os amigos e as amigas foram chegando, uns foram ficando, outros indo. E eis que, inesperadamente, na família do trabalho, encontrei um irmão. Não de sangue, claro, mas um irmão.
Tenho um carinho e uma paixão tão grandes por este moço que vocês sabem lá! E o melhor de tudo é que conseguimos ser uma rapariga e um rapaz que se dão bem sem duplos sentidos. Para mim, ele é isso mesmo: o meu irmão mais novo. E como irmã mais velha, claro que me arrelio com ele (ainda ontem me fez esperar QUARENTA MINUTOS! Shame!) e, acima de tudo, tenho um orgulho imenso dele! Fico assim de peito cheio e sorriso rasgado (como estou a escrever este texto) quando falo no meu Ferritina, de nome original João Ferrão!
O Ferrão é fotógrafo. E não é "só" fotógrafo. É um fotógrafo do caraças, como o SITE e o INSTAGRAM dele não me deixam mentir! E vê-lo a fotografar é por si só uma experiência fantástica. Ele é concentrado, silencioso (tanto que nem me apercebi da catrefada de fotografias que me tirou ontem) e parece entrar no seu mundo quando "dispara".
Ontem, desafiou-me a ir com ele até ao Restaurante Panorâmico de Monsanto. Já andávamos mortinhos por ir até lá, e ontem foi o dia. É impressionante a imponência do espaço, tanto pelo fantástico que é ter Lisboa assim tão aos nossos pés, como ao estado de degradação a que chegou. É uma pena.
Entre vidros partidos, murais rabiscados e grafitados, pedaços de tecto no chão e outros a bambolearem à espera que a próxima rajada de vento os deite finalmente abaixo, malta nova a filmar vídeos de dança para o YouTube e outros curiosos como nós, o Restaurante continua a ser um misto de espaço morto, mas cheio de vida. Um Titanic que se recusa a afundar, cheio de sons arrepiantes e outros que nem os ouvíamos pois que ficaram retidos no passado dourado daquele espaço.
Foi mesmo uma aventura, tentar imaginar como era no seu auge o restaurante e a esplanada e, lá em cima, no miradouro, perceber para lá dos graffitis os azulejos que retratavam Lisboa antiga.
Ferritina, mais uma aventura juntos! E agora uma fotografia nossa de extrema má qualidade, autoria do meu "dumbphone"! Ao menos somos bonitos, sim?
Catarina