É mais do que normal que fale aqui de quem faz parte da minha vida de ginásio. Não só de quem me treina, como o Hugo ou a Filipa, mas
também de com quem treino. Afinal, também essas pessoas me incentivam a me
superar (já dei por mim a ir de Alcântara ao Parque das Nações em 20 minutos para fazer uma
aula de Zumba por ter dito ao Álvaro que ia estar presente).
E quem é o Álvaro? Ora, é uma espécie de corpo estranho (por
ser gajo) numa aula de Zumba, e de notar que a estatística não é minha. Basta
ir a uma sessão de Zumba para ver que a maioria dos bailarinos presentes é do
sexo feminino.
Na minha primeira vez na Zumba, a tal que começou a mudar a
minha vida, fui um pouco machista e desconfiada pois lembro-me de ter
perguntado ao professor que estava à porta do estúdio, o Daniel, que para mim na altura era só o instrutor a
quem eu entregava a senha, se estava no sítio certo para zumbar (apesar de o
criador da Zumba ser um homem, meti em ideia que ia ser uma senhora com cabelo
esvoaçante a dar-me aula).
Entreguei a senha e lá dentro as minhas expectativas foram
cumpridas: eram só senhoritas de cores garridas vestidas. Mas, mesmo antes de
começar a aula, entra mais um elemento do sexo masculino, numa espécie de
"estás outra vez errada, Catarina. Afinal aqui homem também dança."
Ainda hoje, o lugar "lá atrás" é o meu, imaginem
naquela altura! Vai-se a ver, também é o lugar do Álvaro.
Lembro-me de, nessa primeira aula, ter ficado admirada com o
à-vontade dos seus movimentos, apesar de também lhe ter ligado pouco pois
estava mais concentrada em não fazer muitos solos nas coreografias (leia-se,
falhar os passos de dança).
Pouco tempo depois, o Álvaro lesionou-se e apareceu numa
aula de hora de almoço para ver a turma: "Este senhor trabalha numa
agência de modelos", brincou o Daniel. E a realidade é que até podia
trabalhar. O Álvaro tem um andar que é um verdadeiro desfile e lança charme por
onde quer que passe. É um galã e o facto de fazer uma aula de Zumba, para mim,
só lhe dá pontos extras. Quando ele falta, a aula já nem é a mesma coisa pois nota-se
a ausência dos seus gritos de macho-latino em momentos-chave das músicas, assim
como o seu perfume a pairar pelo ar.
Mas, para mim, o maior encanto do Álvaro é que, como eu, é
um lutador. Lutou por quebrar um ciclo de excesso de peso. E conseguiu.
Apesar de já o ter conhecido em melhor forma do que quando
começou a luta, este último ano e meio tem-me mostrado um homem focado em
deixar o sedentarismo de lado, em treinar (e não é só Zumba!) e em continuar a
chegar ao seu biquíni dourado (que no caso dele espero que seja uma sunga, vá).
És uma inspiração, homem, apesar de por vezes também seres uma dor
de cabeça (temos uma relação em que se um diz mata o outro diz esfola), mas
hoje o texto é para ti, Álvaro.
Que continuemos a Zumbar juntos por muito tempo!
Catarina





















